Apesar da sinalização de corte de juros em março, agentes do mercado têm ponderado que ainda assim o país seguirá atraente para operações de carry trade.
O dólar abriu em baixa, passou para alta com o exterior negativo e voltou novamente para queda ante o real nesta quinta-feira (29). Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano e sinalizou corte de juros em março.
Às 16h10, o dólar comercial operava com queda de 0,36%, aos R$ 5,187 na venda. O dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — caía 0,12% na B3, aos R$ 5,191.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,186
- Venda: R$ 5,187
O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros na quarta-feira, citando a inflação ainda elevada, juntamente com o sólido crescimento econômico, e dando poucas indicações em sua mais recente declaração de política monetária sobre quando os custos dos empréstimos poderão cair novamente. Um pouco antes da decisão de juros dos EUA, o dólar havia virado para alta, que se manteve após a decisão, para depois fechar quase estável.
Por aqui, o BC decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, em decisão unânime de sua diretoria, e fez a indicação, mas enfatizando que manterá “a restrição adequada” para levar a inflação à meta de 3%.
O corte da Selic em março, em tese, tende a tornar o Brasil um pouco menos atrativo aos investimentos estrangeiros, mas agentes do mercado têm ponderado que ainda assim o país seguirá atraente para operações de carry trade, considerando que as taxas no exterior são bem menores. Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.
Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes como o Brasil — com destaque para a bolsa — tem pesado sobre as cotações do dólar, que se reaproximou dos R$5,20.
Nesta manhã, o dólar sustentava ganhos ante uma cesta de divisas fortes, mas recuava ante pares do real como o peso chileno, o peso mexicano e o rand sul-africano, em uma indicação de que o fluxo de recursos para países emergentes continua.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quinta que deixará a pasta no mês de fevereiro. Segundo ele, a data exata ainda não está definida, mas é “certeza” de que ele sairá do governo no próximo mês, e isso já foi acordado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista ao portal Metrópoles, Haddad voltou a defender as qualidades de Dario Durigan, atual secretário-executivo da Fazenda, para assumir o ministério com a sua saída, mas deixou claro de que cabe o presidente definir o substituto.
(Com Reuters)
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