NOTA METEOROLÓGICA SDC/SC E EPAGRI 30/07 – Previsão Climática para o trimestre agosto, setembro e outubro de 2026.
Na última quarta-feira (29) foi realizado o 244º Fórum Climático Catarinense, no qual meteorologistas incluindo os profissionais da Defesa Civil de Santa Catarina analisaram os cenários climáticos previstos para o restante do inverno e o início da primavera deste ano.
O monitoramento da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial mostra que as águas seguem aquecidas e devem continuar aquecendo nos próximos meses. As projeções do modelo CFSv2 mostram a persistência do aquecimento em grande parte da região central e leste do oceano (Figura 1), reforçando o cenário de intensificação contínua do El Niño ao longo do segundo semestre.

Figura 1. Previsão das anomalias de temperatura da superfície do mar (°C) no Oceano Pacífico Equatorial, para os meses de Agosto, Setembro e Outubro, segundo o modelo CFSv2.
Segundo a NOAA, a probabilidade é alta de o fenômeno atingir forte intensidade ainda neste trimestre (Figura 2). Na sequência, há 81% de chance de alcançar intensidade muito forte entre os meses de outubro e novembro. Além disso, já é possível prever que o El Niño se mantenha ativo, pelo menos, até o outono de 2027.

Figura 2: Probabilidade de intensidade do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres (atualização de julho). Fonte: Adaptado de Climate Prediction Center (CPC).
Normalmente os meses de inverno são menos chuvosos em Santa Catarina, no entanto, em 2026, com a atuação do El Niño isso vem sendo diferente. No último mês já foi registrado um aumento significativo na frequência dos sistemas meteorológicos que trazem chuva para a região, totalizando volumes acima do esperado para a época.
Com a intensificação do El Niño, a tendência é que o restante do inverno continue sendo chuvoso, padrão que exige uma atenção ainda maior durante a primavera. Isso porque os meses de setembro e, principalmente, outubro, naturalmente começam a apresentar maiores volumes de chuva e tempestades intensas. Assim, com a expectativa de um El Niño muito forte nesta época, os eventos associados a tempestades severas e inundações tendem a ser ainda mais frequentes.
Assim, todo o trimestre de agosto, setembro e outubro, tende a apresentar volumes de chuva acima da média climatológica e, como consequência, há um aumento da probabilidade de impactos já comuns nesta época, sobretudo vendavais, enxurradas, inundações e deslizamentos.

Figura 3: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) agosto, (b) setembro e (c) outubro. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.
É importante destacar que, além das chuvas acima da média para o trimestre, os temporais típicos da primavera começaram com antecedência, e devem continuar acontecendo até o fim do inverno. Isso ocorre porque o El Niño favorece uma atmosfera mais quente e úmida, criando um ambiente mais propício ao desenvolvimento de tempestades, que podem vir acompanhadas de chuva intensa, granizo e rajadas fortes de vento.
Em relação às temperaturas, o trimestre deve ser marcado por temperaturas acima da média climatológica e um final de inverno mais ameno. Não se descartam episódios de frio, porém devem ser mais curtos e com menor intensidade em relação ao início da estação.
HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS
As figuras abaixo mostram o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que reúne uma série de 29 anos (1995–2019) e totaliza 5.540 ocorrências de desastres.
Na Figura 4, pode-se observar um aumento no número de ocorrências registradas nos meses de setembro em comparação a julho e agosto. Esse comportamento é esperado, já que, normalmente, os meses de inverno apresentam menos chuva e, consequentemente, menos impactos relacionados às condições meteorológicas.

Figura 4. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
Esse aumento também é mostrado nas Figuras 5 e 6, que mostram o número de ocorrências relacionadas a vendavais e enxurradas, respectivamente. Ambas apresentam o mínimo anual nos meses de inverno, mas aumentam significativamente na primavera. Neste ano, com o El Niño atuando com maior intensidade na primavera, o aumento nas ocorrências pode ser ainda mais perceptível.

Figura 5. Distribuição mensal das ocorrências por vendavais (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.

Figura 6. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à enxurradas (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
RECOMENDAÇÕES
A Proteção e Defesa Civil reforça que este período, apesar da menor frequência, apresenta potencial para tempestades severas. Por isso, a SDC recomenda que a população fique atenta aos alertas de tempestades com risco de ventos fortes, granizo e chuvas volumosas.
Em casos de chuva persistente, com altos volumes, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes.
Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Em casa, busque ficar no cômodo central ou no banheiro, já que geralmente são de alvenaria e as janelas são menores. Se estiver na praia, jamais fique na água.
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.
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